sábado, 29 de junho de 2019

Da Folha de S. Paulo


Procuradores do Ministério Público Federal reclamaram de violações éticas supostamente cometidas por Sergio Moro e temeram a perda de credibilidade da Operação Lava Jato com a ida do então juiz para o governo Bolsonaro, mostram mensagens privadas enviadas por uma fonte anônima ao The Intercept Brasil e divulgadas no início da madrugada deste sábado (29).


De acordo com a parte 8 da série “As mensagens secretas da Lava Jato”, as conversas, ocorreram em grupos com representantes da Lava Jato e outros integrantes do MPF (Ministério Público Federal) e revelam críticas duras à agenda pessoal e política de Moro, além de o acusarem de desrespeitar os limites da magistratura para alcançar seus objetivos.

“Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”, disse a procuradora Monique Cheker pouco antes do juiz aceitar o convite de Jair Bolsonaro para ocupar o Ministério da Justiça.

Nas conversas, os procuradores lamentam a proximidade de Moro com o presidente e dizem que isso daria força às alegações de que a Lava Jato teria motivações políticas.

Em conversas sobre a eleição presidencial, integrantes do MPF criticaram inclusive o fato de Rosângela Moro, mulher do ex-juiz, ter comemorado a eleição de Bolsonaro em suas redes sociais.

“Esposa de Moro comemorando a vitória de Bolso nas redes”, diz o procurador Alan Mansur logo após a eleição. “Erro crasso”, responde José Robalinho Cavalcanti, ex-presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República. “Moro já cumprimentou o eleito. Como perde a chance de ficar de boa, pqp”, afirma a procuradora Janice Agostinho Barreto Ascari. “Esse povo do interior é muito simplório”, ironiza o procurador Luiz Fernando Lessa. 

Para Janice, “Moro se perde na vaidade”. Procurador regional da 4ª Região, João Carlos de Carvalho Rocha concorda e vai mais longe: “Ele se perdeu e pode levar a Lava Jato junto. Com essa adesão ao governo eleito toda a operação fica com cara de ‘República do Galeão’, uma das primeiras erupções do moralismo redentorista na política brasileira e que plantou as sementes para o que veio dez anos depois”, afirma, em referência a um aparato militar montado pela Aeronáutica na Base Aérea do Galeão, em 1954, para interrogar suspeitos do atentado contra Carlos Lacerda na rua Tonelero, episódio considerado um dos estopins para o suicídio de Getúlio Vargas. Dez anos depois ocorreu o golpe militar. 

Segundo o Intercept, as conversas mostram que até mesmo Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, demonstrou preocupação com a adesão de Moro ao governo Bolsonaro.

“…temos uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão. Não acredito que tenham fundamento, mas tenho medo do corpo que isso possa tomar na opinião pública”, afirmou.

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