sábado, 17 de julho de 2021

Vaqueiro nordestino: homem forte, sim senhor!


Por Carlos Brandão

Sertanejo convicto que sou, posso afirmar que o Sertão é muito mais do que apenas uma citação geográfica. Sendo uma região castigada pela fome e pela falta d’água, de vegetação rústica e hostil, é marcada por narrativas e por uma gente forte e valorosa. Nesse ambiente, o vaqueiro exerce função primordial; que, por vezes, ainda não recebe o devido reconhecimento. A história até o descreve como um desbravador, sendo um dos responsáveis pelo avanço da criação de gado pelo interior do Brasil. Mas, é preciso uma atenção ainda maior. Afinal, mais que atividade, ser vaqueiro se tornou uma tradição.

Em minha vida pública procurei deixar claro o respeito que tenho pelo Maranhão, pelo Nordeste e, principalmente, pelo Sertão – onde fica minha querida Colinas, cidade onde nasci. Tanto que, quando deputado federal, apresentei projeto propondo a criação de um dia nacional para celebrar a imagem de um dos mais fortes personagens regionais: o vaqueiro nordestino. O projeto se transformou na Lei n° 11.928 e, desde 2009, o terceiro domingo do mês de julho é reservado para comemorarmos o Dia Nacional do Vaqueiro Nordestino. A escolha da data é uma referência a um dos maiores eventos de reunião da vaqueirama (grupo de vaqueiros).

Todos os anos, sempre nesse período, a cidade de Serrita, em Pernambico, se torna a capital nordestina dos vaqueiros. Sertanejos de todo o Nordeste se encontram na Missa do Vaqueiro, que homenageia o vaqueiro Raimundo Jacó, assassinado na década de 1950. Ele ganhou fama no Sertão e sua morte é lembrada todos os anos. A celebração começou a ser realizada em 1971 e atualmente atrai turistas do mundo inteiro durante o mês de julho, se tornando um grande evento que reúne cerca de cinquenta mil vaqueiros, anualmente.

Minha atitude foi simples, mas creio ter estabelecido justiça a esses sertanejos. A iniciativa estimulou outros parlamentares e, hoje, o vaqueiro é uma classe com profissão reconhecida pela Lei nº 12.870/2013 (em projeto apresentado pelos deputados federais Edigar Mão Branca e Edson Duarte, ambos do PV da Bahia). Um reconhecimento que lhes garante direitos trabalhistas, como seguro desemprego e aposentadoria, além da obrigatoriedade do seguro de vida e acidentes em contratos e serviços de trabalho.

Cresci observando o trabalho destes homens honestos, corajosos, tementes a Deus que, até hoje, se dedicam à lida com o gado, vencendo as agruras do Sertão com sua pele castigada pelo sol ardente.

Aos irmãos vaqueiros – em especial aos do Nordeste -, mais uma vez, expresso minha gratidão. Vocês são símbolo de um povo de luta, que acredita em seus valores e que, de cabeça erguida, segue seu destino, dedicando seu amor ao Sertão. Pela importância que carregam e pela força com que continuam exercendo sua nobre função, meu eterno reconhecimento.

Parabéns ao valoroso vaqueiro nordestino!

*Carlos Brandão é vice governador do Maranhão e presidente estadial do PSDB

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