segunda-feira, 8 de junho de 2020

Secretário de Direitos Humanos do Maranhão pede na justiça nulidade da portaria de Bolsonaro sobre munições



Do Blog Marrapá – A ação civil pública, movida pelo professor e secretário de Estado dos Direitos Humanos e de Participação Popular do Maranhão, Francisco Gonçalves, junto à Justiça Federal da 1ª Região, pede a imediata suspensão e posterior nulidade da Portaria Interministerial que aumenta o limite de compra de munições, além da condenação dos réus que a assinaram, dentre eles o próprio presidente da República Jair Bolsonaro.

Em meio à pandemia do novo Coronavírus, nem máscara, nem emprego, o recado dado pelo presidente da República, na reunião ministerial de 22 de abril, foi claro: “peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assinem essa portaria hoje que eu quero dar um puta de um recado pra esses bostas”. O último termo fez referência aos prefeitos e governadores que decretaram o isolamento social como medida sanitária e de segurança, em face da proliferação do vírus.

Por outro lado, a portaria citada é a Portaria Interministerial n. 1.634/GM-MD, que trata da ampliação do acesso a munição, que veio a ser assinada naquele dia e foi publicada na edição do Diário Oficial da União do dia 23 de abril de 2020, prevendo que cidadãos, antes autorizados a adquirir até 200 unidades de munição por arma registrada ao ano, passaram a poder adquirir até 300 unidades por mês. Tudo isso em meio a uma pandemia.

Segundo a ação, houve por parte do presidente da República Jair Bolsonaro, desvio de finalidade, caracterizado pela fala na reunião que pretendia armar a população e, no limite, fomentar a desobediência civil e o desrespeito às instituições e às autoridades constituídas.

Além do aumento significativo e injustificável do quantitativo de munições, “um verdadeiro absurdo, considerando os tempos pandêmicos que vivemos”, segundo Francisco Gonçalves, a Portaria Interministerial vem repleta de vícios, pois ela tem como base manifestação “técnica” assinada por autoridade que já havia sido exonerada e, portanto, já não possuía qualquer vínculo com a Administração Pública.

Trata-se do General de Brigada Eugênio Pacelli Vieira Mota, exonerado em 25 de março, e passado para a reserva em ato publicado no DOU do dia 26, com efeitos a partir de 31/03/2020. O militar, porém, se utilizou de um e-mail pessoal no dia 15 de abril, para se “desculpar”, segundo ele, pela falta de oportunidade e dizer que “após análise, não observamos qualquer impedimento à publicação. Pequenas demandas/ajustes serão necessários”, se referindo à portaria em questão. Uma mensagem de texto (whatsApp) da Chefe da Assessoria Especial de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com um singelo “ok”, também compõe a ausência de qualquer parecer técnico e motivação que justifique a mudança de uma política de segurança pública.

Ainda de acordo com a petição do professor Francisco Gonçalves, a cada dia que passa, aumentam a quantidade de munições em circulação no país, agravada pelas recentes mudanças na política de controle e rastreamento, que poderão conduzir, de um lado a conflitos e conflagração armada entre pessoas ou entre estas e as autoridades e agentes de segurança; e de outro facilitar o desvio e abastecimento do crime organizado e milícias com um volume cada vez maior de munições desviadas e sem qualquer possibilidade de rastreamento: “No limite, esse volume de munições pode viabilizar a formação de verdadeiros grupos paramilitares que possam vir a atentar – desta vez não apenas com palavras, gritos de ordem e cartazes – contra as instituições democráticas”.

Assim, Gonçalves conclui que em um momento tão delicado, de enfrentamento do maior desafio humano do século XXI, a pandemia da COVID-19, os fatos demonstram que a alteração da portaria consiste apenas no desejo pessoal do presidente da República de armar a população para fins que certamente não coadunam com o respeito ao Estado Democrático de Direito e às instituições e poderes constituídos, sobretudo diante do atual contexto de emergência sanitária e constante acirramento das tensões políticas e sociais no país, que podem resultar em conflagração direta de desobediência civil com trágicas consequências para normalidade democrática.

0 comentários:

Postar um comentário

Busque aqui

Curta a Página do Blog do Neto Weba

CUIDE DO SEU SORRISO

CUIDE DO SEU SORRISO

INTERNET EM ALTA VELOCIDADE

INTERNET EM ALTA VELOCIDADE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Prefeitura executa novas obras de pavimentação em Godofredo Viana