segunda-feira, 18 de dezembro de 2017


O agressor e ex-companheiro da advogada Ludmila Rosa Ribeiro, vítima de violência doméstica em novembro, continua foragido. Após espancar a ex-mulher, o empresário Lúcio André Genésio, irmão do Prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio, pagou fiança de R$ 4.685 e foi liberado pelo Delegado Valber do Socorro Andrade Braga, no plantão da Delegacia do Cohatrac.

No dia 20 de novembro, foi instaurado inquérito policial que decretou a prisão de Lúcio André, porém, passados 30 dias, o agressor ainda não foi localizado pela polícia. Ludmila não silencia e cobra da justiça punição ao ex-companheiro. “Quando a DEM [Delegacia Especial da Mulher] comemora 30 anos de existência, meu agressor comemora 30 dias de impunidade. É complicado administrar o medo, a angústia, o esgotamento físico e psicológico que sinto, e o pior é o sentimento de frustração”, desabafa a advogada em suas redes sociais.

Revolta

Internautas usam também as redes sociais para lotar o perfil de Lúcio André com comentários de revolta e indignação. “O cara que espanca sua mulher, já bateu na mesma até grávida, colocou a vida do seu próprio filho em risco, não pode representar os jovens! Não pode representar nada, além da covardia e maldade”, diz um deles.

Além do caso registrado no mês passado, Lúcio responde por outro crime de violência doméstica, cometido quando a vítima estava grávida de cinco meses. Motivo pelo qual, a Promotora de Justiça Bianka Sekkef Sallem Rocha, autora do pedido de prisão do Ministério Público, observou que o arbitramento da fiança foi indevido, uma vez que o acusado já tem passagem pela polícia.



Lúcio André tem 34 anos, é pai de três filhos: dois frutos de outro casamento e um filho de apenas um ano com Ludmila. Filho do ex-deputado estadual, Zé Genésio, e irmão do atual prefeito do município de Pinheiro, Luciano Genésio, começava a traçar sua carreira política no partido Avante, representando o núcleo jovem da legenda no Estado. Com o slogan “um jovem em ação”, Lúcio defendia na internet os princípios da família, se mostrando muito ligado aos filhos e ao pai.

Investigação 

“Eu fico sem entender o motivo de tanta dificuldade. A justiça concede prisão preventiva, mantém essa decisão, coerentemente com a Lei Maria da Penha, prima pela proteção da mulher, quando é hora do sistema de segurança mostrar que o Estado do Maranhão tem condições de fazer cumprir dois mandados de prisão, ficamos sem resposta”, reclama Ludmila.

Lúcio André entrou com pedido de revogação dos dois mandados de prisão pelos quais responde, entretanto, teve ambos pedidos negados pela justiça e pelo Ministério Público.

Três dias após ter sido violentada, a advogada se encorajou e demonstrou força a outras vítimas de violência doméstica. “Não posso me calar, não posso deixar cair no esquecimento, porque eu não vou esquecer, e da mesma forma eu sei que muitas mulheres passam por isso e não esquecem o que acontece”, diz ela. “Espero que a cada dia possamos evoluir no que diz respeito à efetiva aplicação da lei Maria da Penha. Precisamos de todo o sistema fortalecido e apto para receber mulheres que como eu tem coragem de denunciar. Acima de tudo, um sistema que resguarde a vítima e não o agressor”, finaliza.

A Delegada titular da Delegacia Especial da Mulher (DEM), Wanda Leite, conta que as investigações foram concluídas e a polícia segue diligenciando para encontrar o agressor. “Após o inquérito ter sido instaurado, aguardamos os laudos de exame de corpo de delito e do laudo pericial de dano do telefone celular da vítima e desde então estamos trabalhando na localização do Lúcio e executar sua prisão”.

O caso

Lúcio e Ludmila estavam há um ano e meio separados e tentando reconciliação há dois meses. O motivo da separação foi a agressão do empresário durante a gravidez de Ludmila.

No dia 11 de novembro, eles saíram para jantar em restaurante na região da Lagoa da Jansen. Lúcio tirou fotos com a ex-esposa e pediu a ela que publicasse em suas redes sociais. Ludmila se recusou a postar e resistiu a entregar o celular para o empresário, que o tomou a força.

O casal seguiu para o carro, onde Lúcio começou a agredi-la com socos e cotoveladas. Chegando próximo ao condomínio onde Ludmila mora, ele a jogou para fora do carro e a advogada, sem força para se manter em pé, cai ao chão. Lúcio ainda tentou jogar o carro para cima da vítima com o intuito de atropelar, mas foi impedido por vizinhos que a socorreram.

Ludmila teve parte do rosto desfigurado, duas costelas fraturadas e ferimentos em diversas regiões do corpo.

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