segunda-feira, 27 de julho de 2026

No Maranhão, 11 municípios têm mais eleitores do que habitantes; Presidente Médici lidera



O Maranhão tem 11 municípios com número de eleitores superior à população estimada, de acordo com levantamento da Agência Tatu baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado, que possui cerca de 7 milhões de habitantes e 5,1 milhões de eleitores aptos a votar em 2026, é o que apresenta o menor número de cidades nessa situação entre os estados do Nordeste.
 

Presidente Médici, na região do Pindaré, registra a maior diferença proporcional entre os municípios maranhenses. O eleitorado chegou a 5.763 pessoas, enquanto a população estimada é de 4.717 habitantes, o que representa 22% mais eleitores do que residentes.

Porto Rico do Maranhão, na Baixada Maranhense, aparece na sequência, com 7.286 eleitores e 6.092 habitantes. Afonso Cunha, na região de Caxias, também apresenta diferença expressiva: são 7.479 eleitores para uma população estimada em 6.303 habitantes.

O levantamento aponta ainda que Junco do Maranhão e São Raimundo do Doca Bezerra, que estavam entre os municípios com maior diferença em 2022, agora apresentam número de eleitores inferior ao de habitantes. A mudança indica que, nesses dois casos, o eleitorado encolheu ou a população cresceu em ritmo mais acelerado no período.

Apesar de ser o estado nordestino com o menor número absoluto de municípios nessa condição, o fenômeno no Maranhão segue a tendência regional observada em estados como Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde dezenas de cidades têm mais eleitores do que moradores.

O cruzamento de dados realizado pela Agência Tatu considerou o eleitorado de 2026 divulgado pelo TSE e as estimativas populacionais de 2025 do IBGE. Em todo o Nordeste, 279 municípios se enquadram nesse perfil, o equivalente a cerca de 38% do total de 733 cidades brasileiras com essa característica.

A cientista política Luciana Santana avalia que a diferença entre o número de eleitores e habitantes não constitui, por si só, evidência de fraude, mas merece monitoramento. Segundo ela, o fenômeno pode refletir transformações demográficas, movimentos migratórios e a forma como os vínculos eleitorais são estabelecidos no Brasil.

Em municípios pequenos, poucos votos podem definir uma eleição, de modo que um contingente expressivo de eleitores que não reside cotidianamente na cidade pode alterar a dinâmica da competição eleitoral. O fenômeno reforça a importância das redes familiares e dos vínculos locais, bastante característicos de parte do Nordeste.

Em todo o país, a maior diferença proporcional entre o número de eleitores e habitantes foi identificada em Davinópolis, em Goiás, onde o eleitorado é 120% superior à população estimada, ou 2,2 vezes o número de habitantes.

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