30 de junho: Dia Nacional do Bumba Meu Boi
Governador
Há sentimentos que a gente não consegue explicar. Apenas sente. Com o Bumba Meu Boi é assim. Quem nasceu no Maranhão conhece essa sensação.
Basta o som das matracas começar, uma toada surgir ao longe ou o brilho dos bordados aparecer para que algo desperte entre nós.
É como reencontrar uma parte da nossa própria história.
Por isso, escrever sobre o Bumba Meu Boi nunca é apenas sobre cultura. É descrever quem somos.
Em um país tão diverso quanto o Brasil, poucas manifestações populares conseguem reunir tantos elementos ao mesmo tempo.
Música, dança, teatro, fé, tradição, festa e identidade caminham juntas no Bumba Meu Boi.
Sua história guarda marcas dos povos indígenas, africanos e europeus que ajudaram a formar o Maranhão ao longo dos séculos. Talvez seja justamente essa capacidade de reunir diferenças que explique sua força.
No auto, desfilam personagens que fazem parte do imaginário de gerações: Pai Francisco, Catirina, o Amo, os caboclos, os índios, os cazumbás, os vaqueiros e tantos outros rostos conhecidos do nosso povo. Mas a força dessa tradição vai além dos personagens. Cada maranhense encontra nela um pedaço de si, uma lembrança da infância, da família ou da comunidade onde cresceu.
O Bumba Meu Boi não pertence apenas a uma cidade, a um grupo ou a uma região. Ele faz parte da vida do Maranhão inteiro.
Essa riqueza aparece também nos seus diferentes sotaques. Na batida vibrante da Matraca, na ancestralidade da Zabumba, na delicadeza da Baixada, na identidade própria do Costa de Mão e na sonoridade da Orquestra.
Cada um carrega uma trajetória particular, seus instrumentos, seus rituais e sua forma de emocionar.
São expressões distintas, mas unidas por um mesmo sentimento: o orgulho de ser maranhense.
Quando apresentei, ainda como deputado federal, o projeto que instituiu o dia 30 de junho como Dia Nacional do Bumba Meu Boi, sancionado em 2009 – uma decisão que nasceu da escuta do povo -, acreditava que essa manifestação merecia ser reconhecida em todo o país.
O tempo mostrou que esse reconhecimento poderia ir ainda mais longe.
Em 2019, o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão recebeu da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Foi uma conquista celebrada por todos nós e que confirmou algo que o povo maranhense sempre soube: o Bumba Meu Boi ocupa um lugar especial entre as grandes expressões culturais brasileiras.
Num mundo que muda em velocidade cada vez maior, preservar a cultura é também preservar a memória, os vínculos e a identidade de um povo.
O Bumba Meu Boi continua exercendo esse papel de maneira singular. Aproxima gerações, fortalece comunidades, movimenta a economia, impulsiona o turismo e projeta o nome do Maranhão para além de nossas fronteiras.
Neste 30 de junho, celebramos mais do que uma tradição. Celebramos o sentimento de pertencimento que une os maranhenses.
Porque enquanto houver uma matraca tocando, uma toada sendo cantada e um coração maranhense batendo forte de orgulho, o nosso Bumba Meu Boi continuará vivo. E, com ele, continuará viva a própria alma do Maranhão.

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