CPI para investigar vice-governador iniciará trabalhos após feriado
A Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa, criada para investigar denúncias de movimentações financeiras milionárias e atípicas que pesam contra o vice-governador Felipe Camarão (PT) iniciará, de fato, seus trabalhos após o feriado prolongado que se avizinha.
Membros da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, em reunião realizada na tarde desta última terça-feira, 14, rejeitaram pedido de questão de ordem de autoria do deputado Rodrigo Lago (PSB) que já havia sido rejeito pela Mesa Diretora.
No entanto, o deputado Carlos Lula (PSB), que substituiu Lago na reunião, pediu vista, abrindo prazo de 48 horas para nova avaliação.
De acordo com o que foi apurado, devido ao feriado prolongado, o colegiado só voltará a se reunir na terça-feira, 28, para ratificar a rejeição e encaminha-la ao plenário.
Foi descartada a possibilidade de chamamento de uma reunião extraordinária, pelo menos por enquanto.
Pelo Bloco governista Unidos Pelo Maranhão são membros titulares da CPI os deputados Ricardo Arruda (MDB), Ana do Gás (Republicanos), Mical Damasceno (Republicanos), Yglésio Moyses (PRD) e Adelmo Soares (MDB).
Pelo Bloco do PL, o representante é o deputado Aluízio Santos.
O Bloco de oposição, denominado de Parlamento Forte, indicou o próprio Rodrigo Lago.
São suplentes: Carlos Lula (PSB), da oposição; Fabiana Vilar, do PL; e Helena Duailibe (Republicanos), Florêncio Neto (MDB), Kekê Teixeira (MDB), Eric Costa (Republicanos) e Jota Pinto (Republicanos) pelo campo governista.
Resposta – A Mesa Diretora da Alema, através da sua presidente, deputada Iracema Vale (MDB), encaminhou ao desembargador Sebastião Joaquim Lima Bonfim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, informações contraponto mandato de segurança, interposto pelo próprio Felipe Camarão, visando barrar o trabalho da CPI.
A resposta foi solicitada pelo próprio magistrado.
Entenda o caso – A Comissão terá como foco principal apurar denúncia contra Felipe Camarão contida em um Procedimento Investigatório Criminal, cuja investigação é de competência do GAECO, no qual o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, pleiteou ao Tribunal de Justiça do Maranhão o afastamento cautelar do vice-governador do cargo.
A investigação contra o petista teve início a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), órgão vinculado ao Banco Central, apontando para movimentações financeiras atípicas envolvendo Camarão; familiares seus; e servidores estaduais.
De acordo com o Ministério Público, foram identificados mais de R$ 4,6 milhões em créditos além dos rendimentos salariais, além de centenas de depósitos em dinheiro sem identificação de origem e operações fracionadas, prática que pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.
A apuração também aponta a existência de uma rede de movimentação financeira envolvendo terceiros, incluindo policiais militares ligados ao gabinete institucional, que teriam atuado como operadores, recebendo valores, fragmentando quantias e realizando repasses em benefício do vice-governador.
Outro ponto destacado no documento diz respeito ao pagamento de despesas pessoais por terceiros, como hospedagens, tributos e outras obrigações, além de transferências diretas e indiretas que envolveriam pessoas próximas ao núcleo familiar.
Há ainda indícios relacionados à aquisição de imóveis de alto valor, que somam cerca de R$ 4,7 milhões, considerados incompatíveis com os rendimentos formais e sem a devida correspondência nas declarações fiscais.
O vice-governador nega as acusações.
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