sexta-feira, 10 de abril de 2026
Assembleia forma CPI para investigar denúncias contra Camarão e rejeita pedido de Lago

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão formou, na última quinta-feira (9), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o vice-governador Felipe Camarão, com base em informações encaminhadas pelo procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro. A apuração gira em torno de suspeitas de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, além de indícios de uso de terceiros para circulação de valores.
A composição da comissão reúne maioria governista: Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno, Yglésio Moyses e Adelmo Soares foram indicados pelo bloco Unidos Pelo Maranhão. O bloco Liberal Democrático (PL/PRD) terá Aluízio Santos como representante. Já a oposição, por meio do bloco Parlamento Forte, indicou o deputado Rodrigo Lago.
Antes mesmo do início dos trabalhos, a CPI foi alvo de disputa interna. Rodrigo Lago apresentou questões de ordem na tentativa de travar a instalação do colegiado, mas teve o pedido rejeitado pela Mesa Diretora. O recurso levado ao plenário não alterou o resultado, consolidando a criação da comissão, mas o pedido do parlamentar passará formalmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, o que não derruba a formação e o trâmites da CPI.
As investigações têm origem em relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, construído a partir de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Entre os pontos levantados estão transferências via Pix para mais de mil destinatários, operações em sequência e fragmentação de valores — padrão que, segundo os apontamentos, pode indicar tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos.
A questão também envolve disputas no Judiciário. O Tribunal de Justiça do Maranhão optou por adiar a análise de um outro pedido que buscava suspender a CPI, aguardando esclarecimentos da Assembleia. Já no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o ministro Og Fernandes suspendeu temporariamente o andamento do pedido de afastamento do vice-governador, ao entender que não houve justificativa para medidas sem a prévia manifestação da defesa.
Sem impedimento imediato das cortes superiores, a CPI deve iniciar suas atividades nos próximos dias, após formação definida.
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