quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Denúncia acusa Prefeitura de Santa Inês de bancar médicos “especialistas de fachada”

Prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus

Uma denúncia gravíssima foi protocolada no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE/MA) e lançou forte questionamento sobre a gestão da saúde no município de Santa Inês. A representação, obtida pelo Blog do Minard, aponta indícios de um possível esquema de contratação e pagamento irregular de médicos que estariam atuando e recebendo como especialistas sem possuir o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), exigência formal para o exercício de especialidades médicas.

O ponto central envolve a obrigatoriedade do RQE, registro que deve constar no Conselho Regional de Medicina para que um profissional possa se apresentar e ser remunerado como pediatra, cardiologista ou qualquer outra especialidade. Sem esse registro, o médico é legalmente reconhecido apenas como clínico geral.

Segundo a denúncia, a Prefeitura de Santa Inês teria ignorado essa exigência técnica e legal, pagando salários diferenciados de especialistas a profissionais que não possuem a habilitação registrada junto ao CFM.

A representação atinge o alto escalão da gestão municipal: o prefeito de Santa Inês, Felipe dos Pneus; o vice-prefeito, Pedro Felipe Bringel; e a secretária de Saúde, Ana Valéria Santos. O documento também inclui seis médicos que estariam recebendo como especialistas sem comprovação formal da titulação exigida. Entre os citados está a ex-prefeita Vianey Bringel.

A manifestação sustenta que não se trata de mero erro burocrático, mas de possível desvio de finalidade e improbidade administrativa. É o uso do recurso da saúde para dar vantagens indevidas, enquanto a população espera por atendimento qualificado.

Diante do que classifica como risco de dano continuado aos cofres da saúde, a representação pede ao TCE a concessão de medida cautelar para suspender imediatamente qualquer gratificação ou pagamento por especialidade aos citados até a comprovação do RQE, o bloqueio de bens dos envolvidos, a instauração de tomada de contas especial na folha de pagamento da Secretaria de Saúde e a notificação do Ministério Público do Estado para abertura de investigação por improbidade administrativa.

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