quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Turilândia pode sofrer intervenção estadual após prisão de prefeito
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), no âmbito da Operação Tântalo II, podem abrir caminho para a análise de uma intervenção estadual em Turilândia. A possibilidade surge após a identificação de indícios da atuação de uma organização criminosa estruturada dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal do município.
Por decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o caso foi encaminhado ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, a quem cabe avaliar se estão presentes os requisitos legais e constitucionais para eventual pedido de intervenção estadual. A medida, no entanto, não é automática e depende de análise técnica do Ministério Público e, posteriormente, de manifestação do Judiciário.
Por conta dessa análise técnica, a intervenção estadual em Turilândia é uma possibilidade jurídica em análise, não uma decisão já definida. A medida só poderá ser adotada se ficar caracterizada a incapacidade do município de manter o funcionamento regular de suas instituições.
A avaliação caberá inicialmente ao Procurador-Geral de Justiça e, se provocada, ao Tribunal de Justiça do Maranhão. O andamento do caso deve ser acompanhado mesmo durante o período de recesso do Judiciário.
O desfecho dependerá do avanço das investigações e da análise técnica sobre a necessidade de uma medida excepcional para garantir a normalidade administrativa no município.
MP remarca início dos depoimentos dos investigados na Operação Tântalo II
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) acatou o pedido de remarcação do início dos depoimentos dos investigados da Operação Tântalo II. As oitivas estavam previstas para começar na última segunda-feira (29), mas houve um pedido de adiamento pela defesa da maioria dos investigados, sob a justificativa de que eles não teriam tido acesso às investigações nem ao processo durante o período de recesso.
A informação foi confirmada ao Imirante pelo promotor Fernando Berniz, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A nova previsão é de que eles sejam ouvidos nos dias 5, 6, 7 e 8 de janeiro de 2026.
Esquema investigado teria desviado R$ 56 milhões
De acordo com o Ministério Público, as investigações da Operação Tântalo II indicam que o grupo investigado teria desviado aproximadamente R$ 56 milhões dos cofres públicos de Turilândia, principalmente nas áreas de Saúde e Assistência Social.
Segundo o Gaeco, os recursos teriam sido desviados por meio de:Fraudes em processos licitatórios;
Contratos simulados;
Utilização de empresas de fachada.
Os depoimentos dos investigados começaram a ser colhidos nesta semana, na sede do Gaeco, em São Luís.
Mudança no comando do município
Com o afastamento judicial do prefeito e da vice-prefeita, o comando do Executivo municipal passou a ser exercido de forma interina pelo presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, conforme a linha sucessória prevista na legislação.
Em razão dessa mudança, a vereadora Inailce Nogueira Lopes assumiu interinamente a presidência da Câmara. Apesar da recomposição formal dos cargos, o presidente da Casa Legislativa e outros parlamentares continuam sendo investigados e cumprem prisão domiciliar, o que reforça o caráter excepcional do momento institucional vivido pelo município.
Ministério Público afasta risco imediato de novos crimes
Sobre a possibilidade de continuidade das práticas investigadas, o promotor Fernando Berniz, integrante do Gaeco, afirmou que não há risco imediato de retomada do esquema, mesmo com José Luís Araújo Diniz à frente da Prefeitura.
Segundo o promotor, os contratos considerados fraudulentos foram suspensos por decisão judicial, assim como os pagamentos às empresas ligadas ao prefeito afastado. Berniz ressaltou ainda que o Ministério Público adotará medidas imediatas caso surjam novos indícios de materialidade e autoria.
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