segunda-feira, 28 de julho de 2025

Laudo da PF aponta negligência e falhas em reforma de ponte que desabou entre MA e TO

Laudo da PF aponta que queda da ponte entre Maranhão e Tocantins foi causada por excesso de peso e negligência (Foto: © Bombeiros Militar/Governo do Tocantins)

Mais de sete meses após o colapso da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Estreito (MA) a Aguiarnópolis (TO), a Polícia Federal concluiu a perícia técnica que revela as causas da tragédia que matou 14 pessoas e deixou outras três desaparecidas. O laudo, exibido neste domingo (28) pelo programa Fantástico, indica que o desabamento foi provocado pela sobrecarga no vão central da estrutura, comprometido por deformações e décadas de desgaste acumulado.

O acidente aconteceu em 22 de dezembro de 2024, na véspera do Natal, quando dezenas de veículos atravessavam a ponte e foram lançados no rio Tocantins. Dezoito pessoas caíram nas águas — apenas uma sobreviveu. O colapso aconteceu em aproximadamente 15 segundos; o vão central cedeu em menos de um segundo.

Ponte envelhecida e intervenções falhas

Construída na década de 1960, a ponte de concreto protendido tinha um vão livre de 140 metros e, embora fosse considerada um marco da engenharia à época, não acompanhou a modernização do tráfego rodoviário. O último reforço significativo havia sido feito entre 1998 e 2000. Na ocasião, a camada original de concreto foi substituída por asfalto, e reforços laterais foram aplicados — mas de forma precária. De acordo com o perito Laércio de Oliveira Silva Filho, o reforço “se desprendeu como uma fita crepe”.

Em 2019, um laudo encomendado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) já havia alertado para problemas sérios. O documento apontava “vibrações excessivas” e um rebaixamento de 70 centímetros no vão central, classificando o estado da ponte como “sofrível e precário”. Mesmo com os alertas, as recomendações de reforma não foram executadas. Uma licitação aberta em 2024 fracassou, e nenhuma obra foi iniciada a tempo.

Laudo técnico expõe omissão e aponta responsabilidades

Com base nas evidências periciais, a Polícia Federal agora investiga a responsabilidade de agentes públicos que, mesmo alertados, não tomaram as providências necessárias. Segundo o delegado Allan Reis de Almeida, “houve omissão de agentes públicos quanto à manutenção da ponte”, e a tragédia não foi um evento imprevisível. “Era plausível e anunciado”, afirmou.

O DNIT informou que concluiu a análise interna sobre o caso e encaminhou os documentos à corregedoria. O então superintendente regional no Tocantins, Renan Bezerra de Melo Pereira, foi exonerado em abril. Ele afirma, por meio de nota, que ocupou o cargo por apenas um ano e cinco meses e que aguarda os desdobramentos da investigação.

Dor das famílias e promessa de reconstrução

Entre as vítimas da tragédia estão Salmon, Alessandra e o filho Felipe, de apenas 10 anos, moradores de Palmas que viajavam para o Maranhão. Apenas o corpo de Alessandra foi localizado. “É muito sofrimento para a nossa família”, desabafou Maristelia Alves, parente das vítimas.

A ponte antiga foi implodida em fevereiro deste ano. No local, está sendo construída uma nova travessia, com investimento previsto de R$ 171 milhões. A nova ponte terá 630 metros de extensão — 100 a mais que a anterior — e contará com um vão central de 154 metros, sustentado por pilares de 20 metros de altura. A entrega está prevista para dezembro.

Enquanto a obra não é finalizada, a travessia entre os estados é feita por balsas. Caminhoneiros e motoristas relatam esperas que podem ultrapassar 10 horas.

Para o diretor técnico-científico da Polícia Federal, Roberto Reis Monteiro Neto, o caso serve de alerta. “Com manutenção adequada, reavaliações periódicas de carga e atenção preventiva, tragédias como essa podem ser evitadas.

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