quinta-feira, 23 de abril de 2020

Segundo Helder, as unidades básicas de saúde municipais da região metropolitana, sobretudo as de Belém, não estão cumprindo com o papel de orientação | Divulgação

Em entrevista ao jornalista Matheus Leitão, no site da revista Veja, Helder Barbalho afirmou que a situação no Pará é “gravíssima” e que a capital, Belém, pode repetir as cenas de Manaus com hospitais superlotados e sem novos leitos para atender pacientes com o coronavírus, abrindo covas coletivas para enterrar as vítimas fatais, em uma crítica direta à administração municipal.

“Eu não posso descartar essa hipótese de Belém ficar igual a Manaus. Nós estamos em um momento muito crítico. Situação gravíssima, principalmente porque temos aqui a falência da porta de entrada, o que acabou por rapidamente agravar a situação das UTIs. As unidades básicas de saúde não estão cumprindo com o papel de orientação, fundamentalmente na região metropolitana”, disse.

O Pará, segundo o governador, tem 91% dos leitos de UTI ocupados atualmente. Helder citou o fechamento de unidades de pronto atendimento para atender exclusivamente pacientes com suspeita da covid-19. “Já as unidades de pronto atendimento e pronto socorros principalmente de Belém estão da mesma forma. Ontem assistimos o que já vinha sendo recorrente: unidade pronto atendimento com porta fechada, pronto-socorro não mais recebendo paciente”, afirmou.

Ele também criticou duramente o ministério da Economia. Para Helder, é um equívoco avaliar como “bomba fiscal”, a ajuda financeira aos estados durante a pandemia do coronavírus. Na sua visão, basta que o governo tenha “a mesma sensibilidade que tem com os bancos e banqueiros”. “Eu acho que há um equívoco por parte do Ministério de Economia de avaliar neste momento de crise, de dor, de perda, que recomposição de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], recomposição do ISS [Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza], e de outros impostos, possa ser interpretado como bomba fiscal”, criticou à coluna.

O governador anunciou, ontem (22) que doará seus salários referentes aos meses de abril, maio e junho - um total de mais de R$ 67 mil - à conta única criada para o combate à pandemia de coronavírus. O vice-governador, Lúcio Vale (PL), também repetirá o gesto. Ele também anunciou a abertura dos hospitais de campanha de Santarém, no oeste paraense, em funcionamento desde ontem, e o de Breves, na região do Marajó, para hoje (23).

“Espero que este exemplo possa servir para mobilizar os outros poderes, todos que possam ajudar. Espero que prefeitos, vice-prefeitos, deputados estaduais, secretários, empresários façam também e que todos possam contribuir para construirmos uma rede de apoio cada vez maior”, justificou o governador.

Helder disse ainda que foram registrados cinco novos óbitos, elevando o total para 43, além de 169 novos casos da doença, totalizando 1.195 infectados em todo o Pará. Dentre os mortos, está o diretor do Departamento de Finanças da Secretaria de Saúde Pública (Sespa), ocorrido no início da tarde desta quarta-feira (22). O servidor, de 42 anos, atuou sete anos na pasta e estava internado há 14 dias no Hospital Regional Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci. Ainda de acordo com o boletim diário, eram 450 recuperados, 1.676 casos descartados e 433 casos em análise.

Foram confirmados ainda 30 novos leitos para pacientes com a Covid-19 no Hospital Galileu, além de mais 15 de enfermaria e 5 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), ambos em Ananindeua. O HRAS deve contar com mais 50 leitos até o fim da semana, e Helder citou obras avançadas nos hospitais de Itaituba, Castanhal e Castelo dos Sonhos (distrito de Altamira). Para o Hospital Regional do Baixo Amazonas, também em Santarém, foram autorizados 20 novos leitos de UTI. Hoje ocorrerá a vistoria final antes do envio dos 400 respiradores comprados da China pelo Governo do Estado há 50 dias, e que possibilitarão ampliar a oferta do tratamento intensivo em todo o Pará.

REFORÇO

Helder Barbalho esclareceu que a adoção da Policlínica Metropolitana ao protocolo de enfrentamento ao novo Coronavírus é um reforço à Atenção Básica de Saúde, e que não dispõe de leitos para internação. Só no primeiro dia (21) de mudança de perfil de atendimento, foram 380 atendimentos, e no segundo, 620. O atendimento regular da unidade, que oferece mais de 40 especialidades, foi totalmente suspenso, para receber somente pacientes com síndrome respiratória aguda e sintomáticos de Covid-19.

“Mas é muito importante eu dizer para vocês que só deve procurar a Poli quem estiver com sintoma, mas não estiver em condição grave, porque ali não é pronto-socorro e nem UPA. A clínica não é adequada e o paciente corre o risco de sofrer as consequências de estar em ambiente inadequado para situações de urgência e emergência”, pediu.

Saúde

Helder Barbalho informou estar se sentindo bem fisicamente, embora com alguma falta de ar, mas sem febre e sem tosse. Uma tomografia revelou 20% de comprometimento pulmonar e uma leve pneumonia, tratada com Azitromicina.

Via DOL

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