segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Milhares de “Margaridas” estão a caminho da maior ação de mulheres da América Latina. O ator é uma ação estratégica das trabalhadoras rurais para garantir e ampliar as conquistas das mulheres do campo e das florestas

Reprodução


Cerca de 100 mil mulheres devem participar da tradicional Marcha das Margaridas que acontece nesta terça-feira (13) e quarta-feira (14) em Brasília. Mais de quatro mil “Margaridas” irão a Brasília levar as suas lutas, as suas resistências e, principalmente, dialogar sobre a crise que assola o país, em especial, no que atinge as mulheres trabalhadoras.

Para quem não sabe esta segunda-feira (12), completam 36 anos do assassinato de Margarida Maria Alves, símbolo da maior ação de mulheres da América Latina, milhares de Margaridas de todo o Brasil e de outros 26 países estão a caminho de Brasília rumo a Marcha das Margaridas 2019.


O evento é uma ação estratégica das trabalhadoras rurais para garantir e ampliar as conquistas das mulheres do campo e das florestas. Além da Fetaema, a Marcha das Margaridas também conta com as parcerias da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), centrais sindicais e demais entidades. Do Maranhão, cerca de quatro mil mulheres irão participar da marcha.

Para garantir a participação das mulheres maranhenses, a secretária de Estado da Mulher, Ana Mendonça, e a secretária de Mulher da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão, Lígia Daiana Alves, pediram o apoio semana passada de parlamentares da Assembleia Legislativa do Maranhão.


Ana Mendonça explicou que a visita ao Parlamento estadual teve como objetivo firmar parceria para fortalecer o movimento de mulheres que irão a Brasília em busca de direitos. “A gente não poderia deixar de fazer o convite da participação e do apoio dessa casa legislativa para todas essas mulheres que seguem em marcha do Maranhão, em ônibus, para reivindicar direitos de todas nós”, disse a secretária Ana Mendonça, afirmando que recebeu total apoio do presidente Othelino Neto.

Lígia Daiana Alves enfatizou que todas as mulheres que vão participar do evento levam em suas bagagens a força e a coragem para lutar por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência. “Iremos levar a nossa luta e a nossa resistência. Vamos dialogar com a sociedade sobre esse governo que tem atacado a classe trabalhadora, sobretudo, o futuro do homem e da mulher do campo. E nós, Margaridas, do campo, das águas, das florestas e das cidades, neste momento, faremos a luta necessária para a defesa dos direitos coletivos”, disse Ligia Daiana.

Atividades começam nesta terça-feira (13)

As caravanas começaram a chegar na madrugada desta terça-feira (13) no Pavilhão do Parque da Cidade. Às 9h, será realizada uma Sessão Solene no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados, em homenagem às Margaridas. A partir das 14 horas serão realizadas atividades simultâneas no Pavilhão do Parque da Cidade: oficinas, plenárias, painéis, Mostra das Margaridas, rodas de conversa, lançamento de Cartilha, entre outras. A abertura oficial será às 19h, seguida de noite cultural.


A “grande marcha” será quarta-feira(14). A concentração será a partir das 6h, no Pavilhão do Parque da Cidade, com saída prevista às 7h em direção à Esplanada dos Ministérios, onde será feito o encerramento por volta de 11h nas proximidades do Congresso Nacional.

Para as Margaridas, marchar em Brasília reúne grande valor político e simbólico. Em marcha, fazem ecoar a importância do trabalho exercido pelas mulheres, ainda invisibilizado, e afirmam a necessidade de um país que assegure ao seu povo direitos capazes de promover justiça social e igualdade, principalmente às mulheres e às populações negras, que vivem de forma mais intensa os efeitos das desigualdades, da fome e da violência. “Diante da importância da Marcha das Margaridas, construída em seus 20 anos de história, a CONTAG e organizações parceiras convidam todas e todos a estarem conosco, principalmente no dia 14 de agosto, em defesa dos direitos e dos interesses das mulheres do campo, da floresta e das águas”, convida Mazé Morais, secretária de Mulheres da CONTAG e coordenadora geral da Marcha das Margaridas.

Saiba mais sobre a Marcha das Margaridas

Quem são as Margaridas?

Trabalhadoras rurais realizam a Marcha das Margaridas em protesto por mais educação, mais políticas públicas para o campo e em prol do direito das mulheres. A manifestação ocorre de quatro em quatro anos. Foto: Pedro França/Agência Senado

São as mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas que, em marcha, tecem suas experiências comuns de vida e luta. A Marcha tem como força inspiradora a luta de Margarida Maria Alves, uma mulher trabalhadora rural nordestina, que rompendo com padrões tradicionais de gênero ocupou, por 12 anos, a Presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.

Líder sindical bastante influente, construiu uma trajetória sindical de luta pelo direito à terra, pela reforma agrária, por melhores condições de trabalho e contra as injustiças sociais e o analfabetismo. No dia 12 de agosto de 1983, esta grande lutadora do povo foi brutalmente assassinada, na porta de sua casa. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas. É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade.

Quem coordena?

A Marcha das Margaridas é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), suas 27 Federações e mais de 4 mil Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais filiados. A Marcha das Margaridas se constrói em parceria com 16 movimentos feministas e de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.


O IMPARCIAL

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