quinta-feira, 7 de abril de 2016

Flávio Dino diz que troca de cargos por apoio é “necessidade histórica”


O governador Flávio Dino (PCdoB) sustentou ontem (6), em entrevista ao portal de notícias Uol, pelo menos dois argumentos polêmicos em relação ao atual momento de crise por que passa o país, política e economicamente.



Inicialmente, o comunista disse concordar com a manutenção do loteamento do governo pela presidente Dilma Rousseff (PT) a novos aliados após a saída do PMDB.


Segundo ele, essa é “uma necessidade sociológica e histórica do país”.


Veja abaixo.


Uol – As primeiras notícias após o desembarque dão conta de que poderia haver uma distribuição dos maiores cargos para PP e PR. Esta saída é válida para barrar o impeachment ou isso pode derreter ainda mais o apoio popular do PT?


Flávio Dino – Creio que está claro hoje para a esquerda política brasileira que é preciso fazer um duplo movimento que se complementa. Ou seja: de um lado você tem de acelerar um projeto de mudanças sociais, de programas sociais, como a recente inauguração da fase três do Minha Casa, Minha Vida, que sinaliza para a continuidade de um programa de distribuição de renda. De outro lado, um segundo movimento, que complementa este, é buscar segurança institucional que tenha programa com essas características.


Neste sentido, não vejo incomodo na esquerda política de um modo geral em relação à política de alianças que confira estabilidade ao governo da presidente Dilma. Acho uma medida acertada neste momento, sobretudo considerando a gravidade da crise econômica e também o peso dos ataques feitos ao governo, que exigem naturalmente que ele esteja resguardado. Quanto mais aliados se somarem a essa tese, acho positivo.


O jornalista Fernando Notari, que conduzia a entrevista, aparentemente se assusta com a resposta do governador do Maranhão, e insiste no tema.



“Mas estamos falando do PP, um dos partidos que tem mais nomes envolvidos na Lava Jato. Dar mais protagonismo ao PP no governo não pode incomodar a base social do PT, justamente no sentido de inviabilizar uma reeleição em 2018?”, questiona.


E Flávio Dino emenda mais uma pérola da sua já folclórica e intransigente defesa da presidente.


“Na verdade, não é possível colocar a participação na Lava Jato como critério para nada, porque infelizmente você tem denúncias, acusações contra políticos de todos os partidos, inclusive os da oposição. Não é um referencial válido. A separação do joio do trigo é necessária, mas não tendo em conta o critério de ter pessoas deste ou daquele partido envolvidas. A questão central é seguir apoiando as investigações, apoiar o trabalho, desde que constitucional e legal, que seja feito pelo Ministério Público, pela polícia e pela Justiça. E que quem cometeu erros e crimes que os paguem”, disse.

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