sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

“Tenho ataque de pânico quando olho um carro parecido com o que ele tentou me atropelar, não consigo voltar a trabalhar”
“Ele deve estar agora rindo de toda a situação, brincando de menino minado em um dos aviões da família, ou estaria derrubando boi de mais de uma tonelada, nas suas queridas vaquejadas, montando seus cavalos caríssimos, rodeado de bebidas" 


Por Ludmila Ribeiro
Advogada e vítima de espancamento

Será se a Lei Maria da Penha está realmente sendo entendida e bem aplicada? É revoltante o aumento da violência contra as mulheres, e isso deve ser combatido.

A mulher não pode ficar calada, e para isso tem que se sentir segura para denunciar seu algoz. Deve sentir segurança para sair desse ciclo de violência, e para isso, é necessário que todo o sistema funcione em favor unicamente da proteção dessa mulher.

Para que entendam, eu fui agredida covardemente quando estava grávida do nosso filho, sofri as consequências dessa agressão, tive descolamento de placenta, fiquei deitada o resto da minha gestação, só tinha direito a um banho, e mesmo assim nosso filho veio ao mundo prematuramente, uma lesão considerada leve pela justiça. Seria mesmo leve o peso de poder perder um filho a qualquer momento? Já ele nunca sentiu as consequências judiciais dessa primeira agressão.


Após muita insistência, dei sim uma segunda chance a quem se mostrou tão arrependido, prometeu que nunca mais faria novamente, só falava no desejo de acompanhar o filho, de formar uma família comigo, tentativa que ele mesmo colocou ponto final me espancando brutalmente, por mais de uma hora, como se eu fosse um objeto dele, uma coisa, um verdadeiro saco de pancadas, e não se vendo satisfeito, tentando me atropelar, o que Graças a Deus e a uma vizinha, muito corajosa, não permitiu que ele lograsse êxito.


Parece que a violência contra mim finalmente teve um fim ai. Pelo contrário, na delegacia, na presença das minhas vizinhas, fui ridicularizada pelo próprio delegado. A violência continua quando ele continua foragido, brincando com a inteligência de todo mundo, ele continua sendo protegido, acobertado e apoiado, demonstrado que o poder e o dinheiro podem tudo, inclusive esconder um criminoso. Pois alguém aí tem dúvidas do que ele fez comigo?


Ele deve estar agora rindo de toda a situação, brincando de menino minado em um dos aviões da família, ou estaria derrubando boi de mais de uma tonelada, nas suas queridas vaquejadas, montando seus cavalos caríssimos, rodeado de bebidas, ele pode ainda estar em um restaurante caro, bebendo vinho bancado pelo seu querido irmão o todo poderoso prefeito, pode estar desfilando por qualquer rua com um de seus luxuosos carros. Será que pela segunda vez ele não vai sentir as consequências dos seus atos?


Quanto a mim, a verdadeira vítima, estou presa, com medo até de ir ao Forúm saber como está a ação, tenho ataque de pânico quando olho um carro parecido com o que ele tentou me atropelar, não consigo voltar a trabalhar.


O pouco que sei, venho compartilhar com vocês. O meu agressor ingressou com o pedido de revogação de prisão preventiva, tanto na ação que corre em Pinheiro, quanto na ação que corre aqui em São Luís. Resumindo, o foragido sabe das decretações de prisão preventiva, acredita na impunidade, e está pedindo HUMILDEMENTE para que o judiciário concorde.

Será se o judiciário vai cometer o mesmo erro que eu? Em acreditar pela segunda vez em uma pessoa que não merece.

Na prática, será se existe alguém pensando na minha segurança?

Peço que as pessoas de bem não se cansem de mim, não se cansem do meu caso, e não se cansem de me ajudar a lutar por segurança, de lutar por essa causa.

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