segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Nonato Vasconcelos

O senhor Raimundo Nonato Santos de Vasconcelos, construtor, e morador das proximidades do fatídico, desde que soube do desaparecimento da pequena, fincou-se naquela porta e não conseguia sair.

Porque sendo um homem tão ativo e dinâmico não conseguia procurar longe da casa? “Porque os bombeiros pediram pra sairmos a procura e fomos, um dia antes, mais ou menos umas (40) pessoas, e fomos pelo Paranã, e nada encontrando voltamos pra casa”.

E com um sentimento coletivo, manteve-se, assim como centenas de pessoas naquela porta de casa, todos sentiam que precisavam permanecer ali, era como se ela lhes dissesse “Não saiam daqui, eu estou aqui” E ao contrário de outros desaparecimentos, onde muitos se escalam e sai pra procura, eles continuavam lá, como se já velando aquele corpinho, sem o saber.

Seu pensamento era só pra ela, onde estava? Como estava? Porque ninguém encontrou ainda? O que posso fazer pra ajudar? Homem disposto, acostumado a sabatina do dia a dia, seu trabalho já o ensinou o que é coragem, força, perseverança, valentia, ousadia, e com seu olfato apurado, após dia e noite ali de plantão, farejou um cheiro de algo estragado.

E com atitude, pulou aquele muro á procura de onde vinha aquele odor, e olha à sua direita e vê muito entulho, telhas e lixo, e como trabalha com obras, percebeu umas lajotas espalhadas, e vê muitas folhas secas, e telhas em cima dessas lajotas, e mais folhas em cima das telhas, que esquisito, e só consigo, sentia que havia algo ali, começou afastar as folhas, e muitas moscas saíram, e removia aquelas coberturas e deu de cara com a criança, e fez o achado que preferiria nunca acontecesse, pois nutria, assim como todos os presentes a esperança de acha-la viva, sentiu em seu coração uma dor jamais experimentada, e um conflito interno, alivio, “achei, mas ela está morta meu Deus”. E o desespero tomou conta do seu intimo, chamou outros presentes e mostrou o achado macabro, e quando lhe perguntei hoje, (06) de Novembro, como está se sentindo Nonato? “Fiquei muito mal, mas hoje já estou melhor, porque a gente encontrar uma criança na forma que foi não é fácil”. Disse-me ele, e que passou alguns dias sem condições de se alimentar, sentia o estômago revirado. 

Mas a vida segue e este blog quer deixar registrado pra sempre essa história de coragem e determinação desse homem que não esperou a ordem de ninguém pra seguir seu faro e sua intuição e que por essa característica foi o responsável, pelo fim da agonia da procura.

Obrigado Nonato por sua coragem e por sua ajuda nesse caso tão difícil pra todos.

Entrevista e produção textual www.virginiabarroso.wordpress.com

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