segunda-feira, 23 de outubro de 2017



Mais de 750 profissionais de saúde participam, em São Luís, de capacitação do ‘Projeto: Abordagens Inovadoras para intensificar esforços para um Brasil livre da Hanseníase’. A oficina, realizada pelo Governo do Maranhão, Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), com o apoio da Fundação NIPPON, do Japão, tem o objetivo de intensificar o enfrentamento da hanseníase em cinco municípios maranhenses. O encontro será realizado até sábado (28) e reúne profissionais das cidades de São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Alcântara e Raposa. 

O lançamento do projeto e início das oficinas ocorreu nesta segunda-feira (23), na Faculdade Pitágoras, no Turu, com a presença de autoridades dos cinco municípios, escolhidos por concentrarem o maior número de casos da doença. Em 2016, o Maranhão registrou 3.298 casos novos de hanseníase - São Luís, no mesmo ano, teve 472 registros.

Na abertura, o secretário adjunto da Política de Atenção Primária e Vigilância em Saúde da SES, Marcelo Rosa, que representou o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, ressaltou que a atual gestão estabeleceu como prioridade uma doença que antes era negligenciada. “É por isso que temos fortalecido ações em todas as áreas, da vigilância epidemiológica às capacitações nas equipes da atenção primária”, disse.

Representando o Ministério da Saúde, a substituta da coordenadora nacional do Programa de Hanseníase e Doenças em Eliminação, Jeann Marie Marcelino, reforçou a importância do envolvimento de todos os entes executivos do país, assim como sociedade civil e organismos internacionais.

“No enfrentamento dessas doenças, se a gente não unir forças – quem tem recurso, quem tem expertise, cooperação técnica e profissionais para execução – a gente não vai conseguir. Temos tido uma colaboração muito forte do Estado e do Município para a gente poder intensificar a ação e ter êxito”, afirmou.

O projeto terá duração de três anos (2017/2019) e, além do Maranhão, também será realizado no Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins, estados que registraram maior número de casos novos da doença, tanto na população em geral, como em menores de 15 anos, com base no ano de 2015. No total, 20 municípios serão alvo da ação, cujo objetivo é reduzir a carga de hanseníase, contribuindo assim para a redução da carga da doença no país.

Capacitação

A capacitação dos 778 profissionais envolvidos no combate à hanseníase acontece durante esta semana, simultaneamente, nas cinco cidades participantes – em Alcântara, o início será na quarta-feira (25). O primeiro dia será voltado para oficinas teóricas e em seguida será feito trabalho externo. 

A culminância do treinamento será no sábado (28) com mutirão, no qual serão oferecidos exames dermatoneurológico, avaliação para prevenção de incapacidades, e atividades de orientação sobre sinais e sintomas da hanseníase.

Em São Luís, os pontos escolhidos foram o Centro de Saúde do Turu e o Centro de Saúde Djalma Marques. Já em Paço do Lumiar, a campanha será feita no Povoado Pau Deitado, enquanto que em São José de Ribamar a ação ocorrerá no bairro Jardim Tropical. Raposa e Alcântara não farão mutirão neste primeiro momento.

“Este é o primeiro momento de atualização dos profissionais da atenção básica e dos centros de referência. Precisamos que esses profissionais estejam sensibilizados para identificar o mais precocemente os casos da doença. Só assim quebraremos a cadeia de transmissão, pois imediatamente após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir”, explicou a coordenadora do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, Maria Raimunda Mendonça. 

Participam da ação agentes comunitários de saúde, agentes de endemias, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, dentistas, nutricionistas, assistentes sociais e psicólogos. “A atenção básica é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde, as unidades básica é que estão próximas do usuário, então todos precisamos estar preparados. Na verdade, todo profissional de saúde deveria saber o que é hanseníase, uma vez que temos essa doença prevalente no estado”, comentou.

Hanseníase

Dos 3.298 casos novos de hanseníase registrados no estado em 2016, 320 (9,7%) foram em menores de 15 anos. Na capital, do total de casos diagnosticados, 7,4% foram em menores de 15 anos.

“Historicamente, o Maranhão sempre despontou como um dos estados mais endêmicos do país. A hanseníase está muito associada com questões socioeconômicas, de habitação e condições de vida. É uma doença transmissível, então atuamos na capacitação também das equipes de saúde da família para que estejam observando e diagnosticando”, disse a chefe do Departamento de Epidemiologia da SES, Léa Márcia Melo da Costa.

Léa Márcia Melo da Costa ressalta também o empenho das autoridades de saúde em detectar a doença. “Temos feito nos últimos três anos muitas campanhas de busca ativa em escolares, o que colaborou muito para a identificação de casos nessa faixa etária. A perspectiva é que a gente consiga reduzir esses índices”, analisou.

Como a doença tem período de incubação longo, ao detectar casos em menores de 15 anos, chega-se ao agente transmissor, em geral um adulto do convívio dela, diminuindo os subregistros da doença.

Além da busca nas escolas, o Governo do Maranhão realiza o serviço de busca ativa de casos da doença por todo o estado com a Carreta Ponto Final da Hanseníase. A ação, realizada em parceria com o Laboratório Novartis, integra as atividades do Programa Estadual de Controle da Hanseníase da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

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