domingo, 2 de julho de 2017

O traficante Luiz Carlos da Rocha, que mudou de rosto para fugir da polícia
A Polícia Federal prendeu no final da manhã deste sábado (1º), em Sorriso (398 km ao norte de Cuiabá) o traficante de drogas Luiz Carlos da Rocha, conhecido como “Cabeça Branca”, foragido há quase 30 anos, dono de um patrimônio estimado em pelo menos 100 milhões de dólares e considerado o mais procurado da América do Sul. A operação envolveu 150 policiais e cumpriu 24 mandados judiciais.

Rocha foi preso em casa, ao lado da mulher e de um filho pequeno. Apesar de ter uma arma de calibre 9 milímetros em casa, não esboçou reação. Contra ele, há um mandado de prisão preventiva. Do Mato Grosso, seria levado a Brasília, e dali a um presídio federal, provavelmente o de Catanduva (PR).

“Ele é uma lenda do narcotráfico. Estou há 32 anos na Polícia Federal, e desde que entrei se falava no Cabeça Branca”, disse o superintendente regional da corporação no Paraná, Rosalvo Ferreira Franco, na abertura de entrevista coletiva realizada em Curitiba para apresentar a operação.

“Ele era o traficante número zero um de nossa lista de procurados. Tinha mais importância e influência que [o colombiano Juan Carlos Ramírez] Abadia ou Fernandinho Beira-Mar. Não havia ninguém acima dele, para nós”, falou o delegado Elvis Secco, que comandou a operação Spectrum, que envolveu 150 policiais e tem desdobramentos em São Paulo, Araraquara, Cotia, Embu das Artes, Londrina (PR) e Sorriso (MT).

A investigação levou mais de um ano. O grupo comandado por Rocha é considerado pela Polícia Federal como extremamente sofisticado, com uso de esquemas de contra-inteligência para despistar investigadores. O traficante, inclusive, tinha documentos falsos em mais de um nome e passou por cirurgias plásticas que alteraram sua fisionomia.

O traficante foi preso sob uma dessas identidades falsas —Vitor Luiz de Moraes. Em Sorriso, uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes no interior do Mato Grosso, ele vivia com esse nome, e era conhecido como produtor agropecuário.


Divulgação/Polícia Federal 

Cachorro procura droga em Caminhão durante a operação Spectrum da Polícia Federal



“Ele tinha vida social normal. Não estava preocupado em ser preso, sabia que não seria reconhecido —aparentava uns 20 anos a menos do que os cerca de 60 que tem na verdade. E a cidade, por ser pequena, era ideal para que ele pudesse detectar qualquer movimentação policial suspeita que pudesse ameaçá-lo. É uma situação parecida com a de um filme”, afirmou Secco.

“Estávamos há mais de 15 dias aguardando o momento exato para poder prendê-lo, com agentes mobilizados em várias cidades. O primeiro passo da operação foi a prisão dele”, falou o delegado. Os desdobramentos da operação ocorrem inclusive no Paraguai, onde há mandados de busca sendo cumpridos por autoridades locais em fazendas que pertencem ao traficante.

Para chegar a Rocha, a PF usou agentes infiltrados na organização dele. Dessa forma, conseguiu uma imagem dele, que foi comparada a outras, mais antigas, do banco de dados da corporação, e submetida a análises de reconhecimento facial no Instituto Nacional de Criminalística.

Usamos até infiltração de agentes. Com isso, chegamos a vários comparsas. Com isso, chegamos à pessoa da foto. Percebemos que algumas características batiam com as de Luiz Carlos da Rocha.

Luiz Carlos da Rocha é responsável, segundo a Polícia Federal, por trazer de três a cinco toneladas de cocaína pura, de alta qualidade, para o Brasil. Ele tinha ligações em países produtores da droga, como Bolívia, Peru e Colômbia, e em países consumidores na Europa e América do Norte.

Segundo o delegado, a droga era trazida em pequenos aviões para fazendas do traficante no Mato Grosso —apenas no estado, ele tem cinco ou seis propriedades rurais. Dali, era levada em fundos falsos de caminhões para Araraquara (270 km a oeste de São Paulo) e Cotia, onde o grupo tinha depósitos que funcionavam como centros de distribuição.

A droga levada a Araraquara era vendida a traficantes de São Paulo e Rio de Janeiro. Já a de Cotia era exportada pelo porto de Santos. O grupo também usava aviões para exportar a droga para os EUA e Europa, usando países da América Central como escalas.

Rocha tinha casas em vários pontos do Brasil e no Paraguai. Uma delas, de três andares, num bairro de alto padrão em Osasco, na Grande São Paulo, era usada para reuniões com outros grandes traficantes. “Ele era considerado o embaixador do tráfico, tinha bom relacionamento com todos. Não é um criminoso violento, mas um negociador. Por isso teve essa longevidade, mesmo com facções nacionais e internacionais em drogas”, falou Secco.

Apenas nessa casa, a PF encontrou dois milhões de dólares, em espécie, acondicionados em malas. “A localização da casa dificultou bastante o trabalho da PF, pois havia circuitos de câmeras e vigilância motorizada. Era impossível fazer uma campana de mais de cinco minutos”, disse o delegado.

Já condenado em três processos derivados de operações policiais por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, Rocha acumula penas que superam os 50 anos de prisão. A operação, batizada de Spectrum pela PF, cumpriu mandados emitidos pela Justiça Federal de Curitiba em São Paulo, Araraquara, Cotia, Embu das Artes, Londrina (PR) e Sorriso.

Em Londrina, foi preso Wilson Roncarati, considerado o braço direito de Rocha, responsável pela movimentação de dinheiro do Paraguai a São Paulo. Foram apreendidos nove imóveis e dez veículos. Três pessoas foram conduzidas coercitivamente para depor.

Agora, a Polícia Federal irá investigar mais de 20 suspeitos —a maioria parentes do traficante, inclusive a mulher dele— por crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

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